Um Descanso Merecido

A solidão acolheu-a como um abraço há muito esperado. O silêncio era denso, quente, cúmplice. O roupão escorregava pelos ombros, revelando a pele húmida do banho e o arrepio da antecipação. Na cama, esperavam-na o vinho, os brinquedos e o tempo — finalmente, só dela.

Um Descanso Merecido

A porta bateu e o silêncio invadiu a casa como uma maré. Catarina ficou parada no corredor, a ouvir o motor do carro do Bruno a afastar-se pela rua, as vozes animadas dos miúdos a discutir se iam primeiro ao parque ou à gelataria. Depois, nada. Só o tic-tac do relógio da sala e o zumbido baixinho do frigorífico.

Sozinha. Finalmente sozinha.

Respirou fundo. Trinta e quatro anos, dois filhos pequenos, uma lista de tarefas pendurada no frigorífico que parecia crescer sozinha durante a noite. O corpo pesava-lhe como se trouxesse sacos de areia atados aos ombros. O Bruno tinha reparado, graças a Deus. "Vai, fecha a porta, toma um banho de imersão, bebe um copo de vinho, faz o que te apetecer. Só voltamos ao final da tarde." Tinha-lhe dado um beijo na testa e levado as crianças.

Catarina subiu as escadas devagar, a passar a mão pelo corrimão de madeira. No quarto, começou a despir-se sem pressa. A camisola de algodão caiu no chão. O soutien desapertou-se com um suspiro dela e os seios tombaram livres, marcados pelas alças. Passou as palmas das mãos por baixo deles, a massajar a carne quente, sentindo os mamilos a endurecer ao contacto do ar fresco. As calças de ganga desceram pelas coxas. Ficou só de cuecas brancas, a olhar-se ao espelho do roupeiro.

"Precisas disto," disse em voz alta, para ninguém.

Correu o banho, deitou sais de lavanda, acendeu duas velas na prateleira da casa de banho. Enquanto a banheira enchia, foi buscar a caixa que guardava no fundo da gaveta, escondida debaixo das camisolas de inverno. A caixa que o Bruno sabia que existia mas que era coisa dela, só dela. Território privado, reservado aos momentos em que precisava de se reencontrar.

Lá dentro, o sugador vermelho em forma de rosa, com a boquinha em silicone transparente e os botões pretos do comando. O vibrador cor-de-rosa, comprido, curvado na ponta, aquele que tinha descoberto há alguns meses e que a fazia perder a cabeça. E o frasco de lubrificante à base de água, quase cheio, indispensável para os brinquedos.

Tirou as cuecas, viu a marca de humidade no tecido e sorriu. O corpo dela já sabia. O corpo dela estava sempre à frente da cabeça.

Entrou na banheira, a água quente a subir-lhe pelas coxas, pela barriga, a envolver-lhe os seios. Gemeu baixinho. "Hmmmm." Fechou os olhos. Deixou a cabeça descair para trás, contra a toalha enrolada na borda. Os músculos das costas começaram a soltar-se, vértebra a vértebra.

Ficou ali muito tempo, só a respirar. A sentir o vapor. A deixar que os pensamentos — a reunião de segunda, a ida ao pediatra, a roupa por lavar — fossem passando como nuvens, sem se fixarem em nada. Passou a esponja devagar pelo monte de Vénus, liso e suave como gostava de o manter, depilado de véspera. A mão escorregou entre as pernas e tocou-se ao de leve, só um contacto, só uma promessa do que viria a seguir. Os lábios da vulva já estavam inchados, já pediam atenção.

Quando a água começou a arrefecer, saiu, enrolou-se num roupão felpudo, e voltou para o quarto. Não vestiu nada por baixo. O roupão aberto, a pele ainda quente e rosada do banho, os mamilos a espreitar entre as pregas do tecido.

Deitou-se na cama, por cima do edredão. Os brinquedos ao lado, o lubrificante ao alcance da mão. Um copo de vinho branco fresco na mesinha de cabeceira, que tinha ido buscar antes de subir.

Começou devagar. A mão direita pousou na barriga e foi deslizando em círculos preguiçosos. Os dedos passaram por cima do umbigo, desceram até ao púbis, onde a pele lisa e macia convidava a ser acariciada. Passou as pontas dos dedos por aquela suavidade, por aquela extensão sedosa e limpa, e arrepiou-se toda. Ainda não se tocou onde queria. Fez de conta que não estava com pressa.

A mão esquerda subiu para o seio direito. Apertou com firmeza, a palma a envolver toda a carne, e depois deixou o mamilo escapar entre o indicador e o médio, torcendo-o devagar. "Ahhh..." O som escapou-lhe antes que pudesse pensar. Mas estava sozinha. Podia fazer todo o barulho que lhe apetecesse.

Voltou a torcer, mais forte desta vez, e uma faísca correu-lhe da ponta do mamilo até ao meio das pernas. Sentiu-se abrir, a carne a latejar, a ficar escorregadia.

A mão direita desceu finalmente. Os dedos encontraram os lábios da racha, já inchados, já molhados. Separou-os com o médio e o anelar, e o dedo do meio encontrou o clítoris, pequeno e duro, a espreitar por baixo do capuz. Circulou-o devagar, sem pressa, a sentir a textura aveludada da pele, a sentir como cada volta fazia o corpo todo estremecer.

"Sim... assim..." murmurou para si mesma.

Ficou assim um bom bocado, a masturbar-se suavemente, sem querer chegar a lado nenhum. Só a lembrar-se de que aquele corpo era dela. Que antes de ser mãe, antes de ser esposa, antes de ser a mulher que tratava das marmitas, dos ATLs e das febres a meio da noite, era aquela mulher ali, deitada, com a mão entre as pernas, a sentir prazer por sentir.

Quando começou a querer mais, estendeu a mão para o frasco de lubrificante. Abriu a tampa com um estalido seco. Deitou uma boa dose na ponta dos dedos e espalhou o gel transparente por todo o clítoris, pelos lábios, pelo capuz. Sentiu a frescura inicial e depois o deslizar sedoso, a pele a ficar escorregadia, brilhante, pronta. Deitou mais um pouco directamente dentro da boquinha de silicone do sugador, para criar vedação perfeita.

Ligou o aparelho. Ouviu o zumbido subtil. Começou no modo mais baixo. Levou a boquinha lubrificada até ao clítoris e encaixou-a. Agora sim, a sucção pegou firme, o silicone selou-se contra a pele escorregadia, e o vácuo começou a trabalhar a sério.

"Oh meu Deus..."

A sucção agarrou-se-lhe, a puxar o botãozinho para dentro da câmara, e ao mesmo tempo a língua interna começou a lamber em movimentos circulares. Catarina arqueou as costas da cama. Os dedos dos pés enrolaram-se no lençol. "Hmmmmmmm..."

Era uma sensação como nenhuma outra. Nem dedos, nem língua, nem nada. O clítoris era chupado e lambido ao mesmo tempo, num ritmo constante, implacável, sem que ela tivesse de fazer nada. Podia só deitar-se e receber.

Subiu a intensidade. Modo dois. A sucção ficou mais forte, mais funda. A língua acelerou. Catarina abriu mais as pernas, deixou os joelhos caírem para os lados, completamente aberta na cama, o roupão já totalmente afastado, exposta ao ar do quarto, exposta só a si própria. O púbis liso brilhava à luz da janela, molhado e cintilante, sem nada a esconder a vulva vermelha e inchada.

"Aaaah... foda-se..."

Manteve o sugador encostado, a trabalhar sem descanso. Sentia a câmara a puxar não só o clítoris mas tudo em volta — a pele, os pequenos lábios, o capuz inteiro — para dentro do vácuo, a fazer subir o sangue, a inchar a carne. Com cada minuto que passava, sentia a vulva ficar mais cheia, mais quente, mais larga. Os lábios incharam, ficaram mais carnudos, mais salientes, e a sensibilidade subiu a um nível em que cada toque, cada brisa, cada pulsação se sentia multiplicada. A bomba estava literalmente a engrossá-la, a chamar todo o sangue para aquela zona, a transformar-lhe a racha numa flor inchada e palpitante.

Quando finalmente, depois de longos minutos a deixar o sugador trabalhar sem parar, sentiu que precisava de mais, que precisava de ser preenchida, desligou o aparelho e descolou a boquinha do clítoris com cuidado. Ouviu-se um pequeno "plop" suave quando o vácuo se quebrou. Pousou o sugador ao lado.

Olhou para baixo e viu a obra. A vulva inchada como nunca, os pequenos lábios mais grossos, mais escuros, mais salientes, a pedir atenção. O clítoris transformado, gordo e duro, completamente exposto, sem capuz a esconder nada, vermelho como uma cereja madura. Tudo ali pulsava em sintonia com o coração.

Passou um dedo levemente pelos lábios e arrepiou-se. A sensibilidade era brutal. O simples toque do dedo fazia-a estremecer da cabeça aos pés.

Pegou no vibrador. Deitou uma boa quantidade de lubrificante na ponta e espalhou-o por todo o comprimento do silicone. Ligou-o. Passou a ponta pelos lábios da racha, agora carnudos e hipersensíveis, a misturar o gel com a humidade abundante que tinha escorrido até à dobra das coxas. Estava ensopada. A ponta do vibrador ficou lustrosa e escorregadia.

Começou a introduzi-lo. Devagar. A vulva abriu-se, a engolir o silicone centímetro a centímetro. Sentiu o preenchimento, o peso, o volume a abrir-lhe as paredes internas. Os lábios inchados pela bomba apertaram-se em volta da haste, abraçando-a com uma sensibilidade redobrada. Gemeu alto, um gemido gutural que lhe veio do peito.

"Ahhhhhh sim... sim..."

Começou a mexer o vibrador para dentro e para fora. Devagar primeiro. A curva da ponta roçava-lhe o ponto G a cada movimento, e ela sentia-se a contrair em volta do brinquedo, os músculos internos a apertarem, a chuparem. Os lábios externos, gordos e tensos, esfregavam-se contra a haste a cada estocada, e cada fricção mandava ondas de prazer pela pelve toda.

Aumentou o ritmo. As estocadas ficaram mais fundas, mais rápidas. Sentia o líquido a sair-lhe a cada movimento, a escorrer pela racha, a pingar para o edredão. O som molhado do vibrador a entrar e a sair enchia o quarto — um som obsceno, vergonhoso, e exactamente por isso delicioso. Estava sozinha. Podia ser autentica, como ela quisesse.

Com a mão livre, levou os dedos ao clítoris exposto e inchado. Não precisou de mais nada — a sensibilidade que a bomba tinha deixado para trás era suficiente. O simples toque da ponta do dedo médio fê-la gritar.

"Ahhhh!"

Começou a esfregar o clítoris em círculos rápidos, dois dedos juntos, enquanto a mão direita continuava a penetrar-se com o vibrador. O brinquedo entrava fundo, batia naquele ponto interno que a fazia ver estrelas, e os dedos lá em cima trabalhavam o botão hipersensível ao mesmo ritmo.

"Sim... sim... sim..."

As estocadas tornaram-se selvagens. Já não era um movimento controlado — era o corpo dela a impor o ritmo, a anca a subir e a descer ao encontro do vibrador, a penetrá-lo de baixo para cima como se quisesse engoli-lo inteiro. A cama rangia baixinho. Os lábios inchados batiam contra a base do brinquedo a cada empurrão, fazendo um ruído molhado e ritmado.

Pensou no Bruno. Pensou na boca dele. Pensou na primeira vez que ele a tinha comido, com uma fome que a tinha deixado sem fôlego, ainda namorados, na casa dos pais dele, em silêncio para ninguém ouvir. Pensou nele agora, algures num parque, a empurrar o baloiço, sem saber que a mulher dele estava ali, naquela cama, aberta, molhada, obscena, a fazer exactamente aquilo de que precisava.

A onda começou a construir-se. Sentiu-a na base da coluna, a subir. O ventre começou a contrair-se em espasmos. A respiração ficou curta. Os dedos no clítoris aceleraram, num movimento frenético, descontrolado.

"Ai... ai... ai... estou quase..."

Enfiou o vibrador fundo, fundo, e deixou-o lá, encostado ao ponto G, a vibrar. Os dedos da outra mão continuaram a esfregar o clítoris com força, sem dó, a apertar entre o indicador e o médio aquele botão duro e maduro.

O orgasmo partiu-a ao meio.

Um grito saiu-lhe da garganta, um grito sem vergonha, um grito de mulher sozinha que não precisa de abafar nada. O corpo inteiro contraiu-se, arqueou, tremeu. A racha apertou-se em volta do vibrador em pulsações violentas. Sentiu o líquido a escorrer, quente, a molhar o edredão por baixo dela. Os pés bateram no colchão.

"AAAAAAAHHHHHH..."

As pulsações continuaram, uma atrás da outra, em vagas. Sentiu-se a desfazer-se. Cada onda era um pedaço de stress a sair-lhe do corpo. Os ombros apertados, o maxilar trincado, as costas endurecidas — tudo se soltou ao mesmo tempo, tudo se libertou naquele espasmo longo e interminável. Os lábios inchados pulsavam contra a haste do vibrador, cada contracção amplificada pela sensibilidade extra que a bomba tinha gerado mais cedo.

Tirou os dedos do clítoris — estava demasiado sensível agora, qualquer toque era quase doloroso. Deixou o vibrador dentro, ainda a vibrar baixinho no modo mais baixo, a prolongar os pequenos tremores secundários que lhe percorriam a vulva.

Ficou ali, deitada, de pernas abertas, a respirar fundo. O peito a subir e a descer. O suor nas têmporas. Um sorriso parvo no rosto. Passou a mão pelo púbis liso e suave, agora brilhante de humidade e lubrificante, e sentiu os lábios ainda volumosos, ainda quentes, ainda a latejar do tratamento da bomba. Iam ficar assim mais uma boa meia hora antes de voltarem ao tamanho normal.

Desligou o vibrador. Tirou-o devagar, com cuidado, e pousou-o ao lado, no resguardo de papel que tinha trazido para o efeito. Pegou no copo de vinho, bebeu um gole longo, o frescor a contrastar com o calor do corpo.

Olhou para o tecto.

Sentia-se leve. Sentia-se inteira. Sentia-se ela própria outra vez, como se tivesse desaparecido debaixo de uma pilha de tarefas e alguém — ela mesma — a tivesse finalmente desenterrado.

Ia levantar-se daqui a pouco. Ia tomar outro duche. Ia fazer a lista de compras. Ia pôr a máquina da roupa a trabalhar. Ia receber o Bruno e as crianças com um beijo e um jantar quente.

Mas primeiro ia ficar ali mais um bocadinho. A boiar. A sorrir. A lembrar-se de que era uma mulher, antes de tudo o resto. Uma mulher viva, quente, cheia de desejo e cheia de força.

E a pensar, já com um brilho malandro nos olhos, que talvez à noite, quando a casa adormecesse, mostrasse ao Bruno o que o sugador fazia, com lubrificante e tudo. Talvez. Se ele se portasse bem.

Bebeu mais um gole de vinho e fechou os olhos.


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