Fim de Semana à Beira-Rio » Entre a Água e o Silêncio
Depois de uma manhã sem pressa, a tarde leva-os rio adentro numa canoa instável. Entre juncos, sombra verde e silêncio, o desejo volta a crescer — mais arriscado, mais lento, embalado pela água e pela certeza de estarem sós.
Almoçaram tarde, ainda tomados pela preguiça da manhã. Comeram pão fresco com queijo da serra e tomate maduro à mesa de madeira da varanda, com os pés descalços sobre as tábuas mornas e o sol já alto sobre o vale. Beberam o resto do espumante, agora morno e sem gás, mas nenhum dos dois se importou. Falaram pouco. Havia entre eles um silêncio confortável, daquele que só nasce depois de muitas horas de intimidade, quando já não é preciso encher o ar com palavras.
Foi Catarina quem propôs o passeio de canoa.
— Está ali encostada ao pontão desde que chegámos — disse ela, apontando com o queixo para a embarcação de madeira escura, amarrada lá em baixo, junto à água. — Era um desperdício não a usarmos.
Bruno ergueu uma sobrancelha por cima do copo.
— Tu, a remar?
— Tu é que remas — corrigiu ela, com um sorriso preguiçoso. — Eu vou de passageira. Sou decorativa.
Ele riu-se, e ficou decidido. Vestiram-se com o mínimo indispensável: Catarina pôs um vestido leve de algodão, cor de alperce, sem nada por baixo, e Bruno uns calções de linho, sem camisa. Desceram o declive verde até ao pontão, com a relva fresca a fazer-lhes cócegas nos tornozelos, e o cheiro do rio a tornar-se mais intenso a cada passo — aquele aroma de água parada e lodo doce, de juncos e lama aquecida pelo sol.
A canoa balançou quando entraram. Bruno segurou-a com firmeza enquanto Catarina se acomodava à frente, recostada contra a proa, e depois empurrou contra o pontão com o remo. Deslizaram para o meio da corrente, com a água a abrir-se suavemente contra a madeira, e o mundo alargou-se à volta deles.
O rio era largo e lento naquele troço, ladeado por choupos altos cujos ramos pendiam quase até tocar a superfície. A luz da tarde filtrava-se através das folhas em manchas trémulas, dançando sobre a água escura e esverdeada. Libélulas pairavam sobre os juncos, com as asas a faiscar ao sol. Algures, ao longe, ouvia-se o canto monótono de um cuco; mais perto, de vez em quando, um peixe rompia a superfície.
Bruno remava sem pressa, com movimentos largos e regulares, e cada remada fazia os músculos dos ombros e dos braços desenharem-se ao sol. Suava ligeiramente, com pequenas gotas a descerem-lhe pelo peito nu, e Catarina, recostada à frente, com os pés descalços apoiados nas pernas dele, observava-o por baixo das pálpebras semicerradas.
— Estás a olhar — observou ele, sem deixar de remar.
— Estou a apreciar a vista — respondeu ela. — É diferente ver-te a trabalhar.
O vestido cor de alperce tinha subido por causa da posição reclinada, expondo-lhe as coxas inteiras ao sol, e o decote solto deixava entrever a curva de um seio sempre que ela se mexia. Bruno sentia o olhar a fugir-lhe constantemente do rio para o corpo dela.
— Se continuas a olhar-me assim — disse ela, lendo-lhe os pensamentos —, ainda vamos contra um choupo.
— Talvez valha a pena.
Ela riu-se e esticou um pé descalço, deslizando-o ao longo da coxa dele, subindo pela perna dos calções. Bruno parou de remar. A canoa continuou a avançar pela própria inércia, perdendo velocidade devagar, e ele deixou os remos descansarem nos apoios.
— Estamos no meio do rio — avisou ele, com um meio sorriso.
— Não há ninguém — respondeu ela, deslizando o pé um pouco mais para cima, sentindo-o já a endurecer através do linho. — Há horas que não vemos vivalma. Isto é tudo nosso.
Olhou em redor. Tinha razão. O rio estendia-se vazio em ambas as direcções, ladeado apenas por árvores e juncos, sem barcos, sem casas, sem pessoas. Só eles, a canoa, a água e o silêncio quebrado pelo canto dos pássaros.
Bruno deixou a canoa derivar até um remanso à sombra dos choupos, onde a corrente era quase nula, e fê-la encostar suavemente a uma zona de juncos altos, que os escondia do resto do mundo. A luz ali era verde e branda, filtrada pelas folhas, e o ar cheirava intensamente a vegetação húmida e flores de água.
— Vem cá — disse Catarina, estendendo os braços.
Moverem-se dentro de uma canoa não era fácil, e os dois riram-se das atrapalhações. A embarcação oscilava perigosamente sempre que algum deles mudava de posição. Ainda assim, Bruno conseguiu deslizar para a frente, ajoelhando-se com cuidado entre as pernas dela, enquanto a canoa balançava sob o peso deslocado. Catarina recostou-se ainda mais contra a proa e abriu as pernas para o receber.
Ele beijou-a primeiro nos joelhos. Depois subiu pela parte interior de uma coxa, com beijos lentos e a barba a raspar-lhe a pele macia. Catarina estremeceu e prendeu a respiração. O vestido cor de alperce subiu naturalmente à medida que ele avançava, revelando que ela não trazia mesmo nada por baixo. O sexo dela estava ali, exposto à luz verde, já húmido e brilhante.
— Tão à vontade — murmurou ele contra a coxa dela. — Sem nada por baixo o dia inteiro.
— Estava à espera — confessou ela, com a voz já rouca. — Desde o pequeno-almoço.
Bruno baixou a cabeça e provou-a.
A primeira passagem da língua, longa e lenta, da entrada até ao clítoris, arrancou-lhe um gemido fundo que se espalhou sobre a água. Ele instalou-se ali, com os braços por baixo das coxas dela para a manter firme contra a boca, e começou a trabalhá-la com precisão: a língua a deslizar entre os lábios inchados, a rodear o clítoris, a mergulhar dentro dela e a recuar.
— Ai, Bruno... meu Deus... — Catarina enredou os dedos no cabelo dele, segurando-o contra si, com as ancas a ondularem ao encontro da boca dele.
A canoa balançava ao ritmo dos movimentos dela, e a água tocava nas bordas num som baixo e irregular.
O gosto dela enchia-lhe a boca, quente e íntimo, e Bruno devorava-a sem pressa, alternando lambidelas largas com sucções concentradas no clítoris. Introduziu dois dedos dentro dela, curvando-os para cima, e Catarina arqueou as costas contra a proa, com os seios a empinarem-se sob o algodão fino do vestido.
— Não pares, não pares, não pares — implorava ela, com a voz a quebrar-se.
Por instantes, até os pássaros pareceram calar-se. Só se ouviam os gemidos dela, a respiração dele e a água contra a madeira. Catarina sentia o orgasmo a aproximar-se, uma onda quente a subir das profundezas, e quando Bruno fechou os lábios sobre o clítoris e sugou com mais força, ao mesmo tempo que curvava os dedos dentro dela, ela perdeu o controlo.
Gritou, e o som espalhou-se pelo rio, espantando um par de aves dos juncos. O corpo dela contraiu-se, as coxas apertaram-se à volta da cabeça dele, e ela tremeu de alto a baixo, agarrada ao cabelo dele, enquanto a língua de Bruno a acompanhava através de cada espasmo.
Quando ela amoleceu, ofegante e entregue contra a proa, Bruno ergueu a cabeça, com o queixo húmido, e sorriu.
— Cuidado — avisou ele, porque a canoa balançava perigosamente. — Quase nos virámos.
— Não me importava nada — disse ela, com um riso ofegante, ainda a tremer dos restos do orgasmo. — Anda cá.
Ela puxou-o para cima, e desta vez tiveram mesmo de ter cuidado. A canoa era estreita e instável, e qualquer movimento brusco ameaçava atirá-los à água. Mas encontraram uma posição possível: Catarina virou-se, ajoelhando-se no fundo da canoa de costas para ele, e apoiou os antebraços e o peito sobre a proa almofadada, com as nádegas erguidas para trás. O vestido cor de alperce ficou todo enrodilhado à volta da cintura dela.
Bruno ajoelhou-se atrás dela e baixou os calções de linho apenas o suficiente para libertar a erecção, dura e pulsante. Posicionou-se com cuidado, mantendo o peso centrado para não virar a embarcação, e roçou a glande ao longo da fenda molhada dela.
— Estás pronta? — murmurou ele.
— Há horas — gemeu ela. — Entra.
Ele empurrou para dentro devagar, e a canoa balançou com o movimento. Catarina soltou um suspiro longo à medida que ele a preenchia, centímetro a centímetro, o calor apertado dela a abrir-se em torno da grossura dele até o receber por inteiro.
E começaram a mover-se.
O ritmo tinha de ser contido. Não podiam ser bruscos, ou a canoa virava. Mas isso obrigava-os a uma cadência lenta, profunda e deliberada, cada investida controlada e completa, o que tornava tudo ainda mais intenso. Bruno segurava-lhe as ancas com as duas mãos e deslizava para dentro e para fora num balanço regular, sentindo cada centímetro do interior dela. Catarina empurrava para trás ao encontro de cada movimento, com cuidado, e os dois moviam-se em perfeita sincronia para manter o equilíbrio.
A canoa oscilava suavemente ao ritmo deles, parada no remanso, e cada balanço fazia pequenas ondas espalharem-se pela água. O suor escorria pelas costas de Bruno sob a luz filtrada, e algumas gotas caíam sobre a pele de Catarina.
— Devagar — gemeu ela, olhando por cima do ombro. — Mas tão fundo. Sinto-te todo.
— Não posso ir mais depressa — arfou ele. — Senão caímos à água.
— Ainda bem — respondeu ela, com um sorriso trémulo. — Assim dura mais.
E durou. Durou longos minutos, naquele balanço lento e hipnótico, com a canoa a oscilar à sombra verde dos choupos e o rio a murmurar à volta deles. Bruno inclinou-se sobre as costas dela, beijando-lhe a coluna, mordiscando-lhe o ombro, e passou uma mão por baixo do corpo dela para lhe agarrar um seio, apertando-o, fazendo rolar o mamilo entre os dedos. Com a outra mão encontrou-lhe o clítoris e começou a esfregá-lo em círculos lentos, ao ritmo das investidas.
— Oh... — Catarina começava a perder-se de novo, o segundo orgasmo a formar-se mais devagar, mas mais fundo. — Outra vez... vou outra vez...
— Eu sei — murmurou ele contra a nuca dela, sem alterar o ritmo. — Sinto-te a apertar.
A glande dele empurrava cada vez mais fundo, pressionando aquele ponto interior a cada movimento, enquanto os dedos no clítoris mantinham círculos firmes e constantes. Catarina agarrou-se à proa com as duas mãos, os nós dos dedos brancos, e sentiu a onda crescer, imensa e inevitável.
— Vem comigo — pediu ela, ofegante. — Desta vez vem comigo.
Bruno também estava no limite: o calor apertado dela, o balanço lento, a tensão acumulada desde o início do dia. Apertou-lhe as ancas com mais força, aprofundou as investidas tanto quanto a canoa permitia, e os dedos no clítoris aceleraram.
— Agora — gemeu ele. — Estou quase.
O orgasmo de Catarina chegou primeiro e arrastou-o consigo. As paredes internas dela contraíram-se em espasmos descontrolados à volta dele, apertando-o, e ela gritou contra a madeira da proa, o corpo a tremer de alto a baixo. Essa contração foi o bastante para Bruno se perder também. Enterrou-se nela até ao fundo, segurou-a com força e libertou-se, com o sexo a pulsar dentro dela em vagas quentes, o sémen a jorrar no interior dela enquanto gemia rouco contra as suas costas.
A canoa balançou perigosamente com os tremores de ambos, inclinando-se primeiro para um lado e depois para o outro. Por um momento, pareceu que iam mesmo emborcar, mas a embarcação aguentou-se, oscilando cada vez menos, até finalmente recuperar a calma.
Ficaram os dois imóveis, ainda unidos, a recuperar o fôlego, com os corpos cobertos de suor a brilhar à luz verde. A água do remanso voltou lentamente à quietude à volta deles, e os pássaros recomeçaram o seu canto, como se nada tivesse acontecido.
Quando finalmente se separaram, com cuidado para não virar a canoa, Catarina virou-se e deixou-se cair de costas contra a proa, com o vestido todo amarrotado e o peito a subir e a descer. Bruno puxou os calções para cima e recostou-se também, exausto e satisfeito, com os pés dela no colo.
— Acho que nunca mais vou conseguir olhar para uma canoa da mesma maneira — disse ela, com um riso preguiçoso, fitando as folhas dos choupos lá em cima.
— Nem eu — respondeu ele.
Ficaram ali à deriva durante um bom bocado, sem pressa de remar de volta, deixando a canoa flutuar no remanso à sombra. Uma libélula veio pousar na borda de madeira, ficou um instante a faiscar ao sol, e depois levantou voo. A tarde derramava-se dourada por entre as folhas, e o rio continuava o seu murmúrio eterno, indiferente e sereno.
Catarina esticou o braço para fora da canoa e deixou os dedos arrastarem-se pela água fresca, traçando pequenos rastos na superfície verde.
— Devíamos voltar antes que escureça — murmurou ela, sem convicção nenhuma, sem mexer um músculo.
— Devíamos — concordou Bruno, igualmente imóvel, com a mão pousada sobre o tornozelo dela.
Mas nenhum dos dois pegou nos remos. Ficaram a flutuar, embalados pela água, enquanto o sol descia devagar sobre os choupos e a tarde se desfazia em ouro e sombra à volta da pequena canoa parada no meio do rio.