Fim de Semana à Beira-Rio » A Hora Antes da Partida
Na manhã de domingo, o bungaló de madeira e vidro desperta limpo, luminoso, quase pronto para a despedida. Entre café, malas por fechar e a última hora antes do checkout, o desejo regressa simples, íntimo e inevitável.
A luz da manhã era limpa e branca, de domingo. O bangalô era todo ele uma caixa de madeira clara e vidro — paredes de pinho nórdico ainda a cheirar a resina e a verniz novo, um pé-direito alto com vigas à vista e uma parede inteira de janelas de correr que davam direto para o rio. A luz entrava em lençóis pelos vidros e caía em retângulos limpos pelo chão, e lá fora o rio corria sereno enquanto um melro ensaiava uma escala distraída algures no salgueiro.
Luísa foi a primeira a abrir os olhos. Ficou um momento imóvel, a sentir o peso do braço dele sobre si, a respiração lenta de Jaime a aquecer-lhe a nuca, e sorriu para as vigas de madeira do teto sem saber bem porquê. Depois mexeu-se, e ele resmungou, e puxou-a mais para dentro do calor das suas pernas.
— Hmpf. Não — murmurou ele contra o cabelo dela. — Mais cinco minutos.
— Temos de fazer o checkout ao meio-dia — disse ela, mas não se mexeu, deixou-se ficar afundada naquele calor. — São quase nove.
— Cinco minutos não muda o meio-dia.
Ela riu-se, baixinho, e cedeu os cinco minutos. Ficaram ali enquanto a luz subia pela parede de pinho, a ouvir o rio e o melro, as pernas entrelaçadas debaixo do edredão. Foi um daqueles silêncios bons, sem nada para dizer, em que só a pele falava.
Mas depois a bexiga falou mais alto, e o estômago dele a seguir, com um ronco cómico, grrlmm, e os dois desataram a rir.
— Pronto, pronto — disse Luísa, atirando o edredão para o lado. — Banho, depois comemos. Estou toda a colar... — fez uma careta, passando a mão pela pele onde o que ele lhe deixara secara durante a noite. — Enfim. Banho.
A casa de banho do bangalô era a peça de resistência do sítio — um cubo de mármore e madeira, com uma claraboia no teto que deixava cair luz a pique, e um chuveiro de chão com resguardo em vidro, um chuveiro de teto do tamanho de um prato. Luísa tocou no comando digital na parede e a água começou a cair em chuva larga, à temperatura certa— só o sussurro da água, shhhhhh.
Entraram juntos. A água quente caiu-lhes do teto sobre os ombros como chuva morna e o vapor encheu depressa a casa de banho — o resíduo da noite a dissolver-se sob o aroma simples e verde do gel de banho do bangalô, eucalipto e qualquer coisa mentolada que faziam a pele formigar.
Foi um banho de domingo. Sem pressa, sem fome — só mãos a lavar. Jaime apertou o doseador na parede e ensaboou-lhe as costas, fazendo deslizar as palmas pelos ombros dela, pela curva da espinha, espalhando a espuma, e Luísa deixou-se ficar de olhos fechados sob aquilo, a cabeça caída para a frente, a água a escorrer-lhe pela cara.
Ela ensaboou-lhe o peito, os dedos a desenharem círculos lentos pelo pelo molhado, descendo pela barriga, e ele deixou-a fazer, as mãos pousadas-lhe na cintura, sem segunda intenção nenhuma. Era só o toque de quem se conhece. Ela lavou-o e ele lavou-a, viraram-se sob a chuva morna, trocaram de lugar, e quando saíram estavam limpos e moles e com a pele a cheirar a eucalipto.
Secaram-se com as toalhas de banho do bangalô — grossas, brancas, novas, ainda com o cheiro a lavandaria. Jaime enfiou apenas uns calções de algodão cinzentos, baixos nas ancas, e ficou de tronco nu, a pele ainda morna e ligeiramente húmida do vapor, uma gota de água a escorrer-lhe pelo sulco do peito abaixo.
Luísa apanhou da mala um vestido leve — daqueles de alças finas e tecido fino, cor de marfim, que lhe caía solto do corpo até meio da coxa. Vestiu-o pela cabeça sem nada por baixo, e o tecido assentou-lhe na pele ainda quente do chuveiro, fino ao ponto de lhe insinuar a forma dos seios por baixo, os mamilos a marcarem-no de leve quando o ar da manhã entrou pela porta de correr. Sacudiu o cabelo molhado para trás, deixou-o cair solto a pingar-lhe pelas costas, e endireitou as alças nos ombros.
Jaime ficou a olhar — o vestido a colar-se-lhe às curvas com a humidade da pele, a luz crua dos vidros a atravessá-lo o suficiente para lhe desenhar a silhueta das pernas por baixo.
— O quê? — disse ela, a sorrir, a sentir-lhe os olhos.
— Nada — disse ele, desviando o olhar de propósito tarde de mais. — Café.
A cozinha era uma ilha central de pedra clara, aberta para a sala, com armários sem puxadores e uma máquina de café encastrada de inox brilhante. Luísa carregou no botão e a máquina trabalhou sozinha, grrr-grrr, a deitar um fio escuro e perfeito para a chávena, e o cheiro do café a subir encheu depressa o open space, denso e quente, a casar com o ar verde da manhã que entrava pela porta de correr meio aberta.
Jaime cortou pão e meteu-o na torradeira, e tirou do frigorífico o que tinha sobrado das compras de sexta-feira: manteiga, um frasco de compota de figo já meio vazio, ovos. Partiu quatro ovos para uma tigela, bateu-os com um garfo, tnk tnk tnk, e despejou-os numa frigideira antiaderente sobre a placa de indução que aqueceu num instante, e o chiar encheu a cozinha, tsssss.
— Tens jeito para isto — disse Luísa, encostada à ilha com a chávena a aquecer-lhe as mãos, a vê-lo mexer os ovos com uma espátula de silicone.
— Tenho jeito para ovos mexidos — corrigiu ele. — É a minha única especialidade. Não me peças mais nada.
Comeram ali mesmo, encostados à ilha e depois na mesa comprida de madeira maciça junto aos vidros, os ovos cremosos sobre o pão tostado, a compota de figo doce, o café forte. O melro continuava a cantar lá fora. Falaram pouco, e do pouco que falaram nada era importante — que o pão estava bom, que aquele chuveiro de teto era um luxo, que tinham de pôr gasolina antes da autoestrada. A conversa banal e morna de quem partilha uma mesa de manhã.
— Não me apetece nada voltar — disse Luísa a certa altura, a olhar pelos vidros para o rio, a chávena encostada ao lábio. — Para a cidade. Para tudo.
— Pois. — Jaime esticou o braço por cima da mesa e pousou a mão sobre a dela. — Mas ainda temos até ao meio-dia.
Depois do pequeno-almoço, arrumaram. Era preciso deixar o bangalô apresentável — fazia parte das regras do aluguer, e além disso nenhum dos dois gostava de deixar a sujidade para trás. Luísa enfiou a loiça na máquina embutida por baixo da ilha, clink clink, e Jaime passou um pano pela pedra clara da bancada, a deixá-la sem uma marca.
Limparam a mesa, sacudiram as migalhas pela porta de correr para os pássaros, endireitaram as almofadas geométricas do sofá de couro. Jaime foi recolher o monte de látex de cima do sofá — as peças todas tortas e secas e luzidias à luz crua que entrava pelos vidros, indecentes assim à vista, fora do contexto da noite — e enfiou-as num saco de plástico para levar, rindo-se sozinho.
— Isto à luz do dia é outra coisa — comentou ele, segurando as cuecas rosa dela, o buraco recortado escancarado. — Parece material de cena de crime.
— Cala-te e guarda isso — riu Luísa, atirando-lhe um pano da cozinha. — E não te esqueças do vibrador, está em cima da mesa de cabeceira.
A sala foi voltando à ordem — neutra, limpa, minimalista, como o sítio tinha sido entregue —, e havia qualquer coisa de melancólico naquilo, em apagar os rastos, em devolver aquele espaço moderno e perfeito como o tinham encontrado.
Estava quase tudo pronto. As malas meio feitas na zona do quarto, a roupa de cama a um canto para a deixarem para a limpeza. Faltava só vestirem-se a sério e carregar o carro.
E foi então que aconteceu.
Luísa estava de joelhos sobre a cama, a fechar a mala em cima do edredão, ainda só com o vestido leve de marfim e nada por baixo. Inclinou-se sobre a mala para empurrar a tampa e fazer o fecho, e o vestido — fino, solto, sem peso nenhum que o segurasse — escorregou-lhe pelas coxas e subiu, dobrando-se-lhe na curva da anca. Subiu o suficiente para lhe descobrir as nádegas por completo, a curva nua delas à luz que entrava pela parede de vidro, a pele ainda rosada do banho quente, e o tecido cor de marfim amontoado na cintura como uma espuma que tivesse deslizado para fora do sítio.
Jaime ia a passar com o saco na mão. E parou.
Ficou ali, a olhar. O vestido enrugado por cima das ancas dela, fino de mais para esconder fosse o que fosse; as pernas nuas abertas sobre o edredão; as nádegas erguidas e descobertas enquanto ela lutava com o fecho da mala, sem fazer ideia do quadro que oferecia. Era a inocência da pose que lhe acendeu o rastilho — ela não estava a provocar, estava só a fazer uma mala, com o vestido a trair-lhe o corpo sozinho, e era exatamente isso que o deixava sem ar.
Pousou o saco no chão, devagar, sem ela dar por nada.
— Estás a olhar — disse Luísa, sem se virar, a sentir-lhe o olhar nas costas. Havia um sorriso na voz dela.
— Estou — admitiu ele, a aproximar-se. — O vestido subiu-te todo.
— Eu sei. — Ela ainda não se virou. Acabou de fechar a mala, click, e ficou ali de gatas em cima da cama, a deixá-lo olhar, as costas a arquearem-se de leve por baixo do tecido fino, num convite que não precisava de palavras. — Temos tempo?
— Temos até ao meio-dia — disse ele, a voz já a descer de tom, rouca. As mãos pousaram-lhe na curva das ancas, por cima do vestido enrugado, e empurraram-no o resto do caminho para cima, descobrindo-lhe as costas centímetro a centímetro até o tecido lhe ficar amontoado entre as omoplatas. — E ainda só são dez e meia.
Não havia látex agora. Não havia anéis, nem brinquedos, nem fatos a sussurrar. Só pele, à luz crua e branca da manhã de domingo que entrava em catadupa pela parede de vidro, e era essa a diferença — depois de uma noite planeada, isto era o oposto, era cru e simples.
Jaime subiu para a cama atrás dela. Inclinou-se sobre as costas dela, o peito a encostar-se-lhe à pele morna, e afastou-lhe o cabelo do pescoço para lhe beijar a nuca — um beijo lento, de boca aberta, a língua a provar-lhe a pele que ainda sabia a eucalipto. Luísa arrepiou-se de alto a baixo, mmm, e deixou cair a cabeça para a frente.
As mãos dele desceram-lhe pelas costas nuas, pelas omoplatas, pela curva da espinha, e contornaram-lhe as ancas até às nádegas. Apertou-as, abriu-as devagar, e ela sentiu o ar da manhã tocar-lhe onde ele a abria. Atrás dela, sentiu o pénis dele a engrossar contra a coxa, a crescer encostado à pele dela sem pressa nenhuma.
Ele acariciou-a assim um momento, dois dedos a deslizarem pela racha dela de trás para a frente, a espalhar-lhe a humidade, o polegar a roçar-lhe a entrada, e Luísa começou a ondular contra a mão dele, baixinho, ah... ah..., a respiração a ficar mais funda. A luz dos vidros batia-lhe nas costas arqueadas, no suor fino que já lhe começava a brilhar entre as omoplatas.
Jaime endireitou-se de joelhos atrás dela, pegou no pénis e encostou a glande à entrada dela — quente, molhada, a abrir-se à pressão. E entrou. Devagar, afundou-se centímetro a centímetro, a senti-la ceder e apertar-se à volta dele à medida que avançava, até estar todo lá dentro, o púbis encostado às nádegas dela.
— Aahnn — gemeu Luísa, baixo e longo, a cabeça a cair entre os braços. — Assim... oh, assim mesmo...
Era o aperto molhado e quente dela à volta dele, direto, pele com pele, e cada centímetro contava — cada prega que o abraçava, cada espasmo que a percorria, a maneira como ela o recebia toda. Começou a mover-se, golpes longos e lentos, a sair quase até à glande e a tornar a afundar-se devagar, sem pressa nenhuma, a saborear cada vinda.
O som húmido e suave dos corpos a encontrarem-se, o colchão a ceder de leve por baixo deles sem ranger, e a respiração dos dois a encher a divisão banhada de luz. Jaime curvou-se sobre as costas dela, o peito colado à pele dela, uma mão espalmada no edredão ao lado da dela, a outra a passar-lhe por baixo da barriga para a segurar contra si a cada vinda.
— Tão fundo assim — sussurrou ela, virando a cara para o lado, a face contra o edredão, os olhos meio fechados. — Sinto-te todo... não pares...
— Não paro — arfou ele contra a nuca dela, os lábios a roçarem-lhe a pele suada. — Quero sentir-te assim. Devagar. Toda.
A mão que tinha por baixo da barriga dela desceu, encontrou-lhe o clitóris, e começou a desenhar círculos lentos enquanto continuava a fodê-la devagar. Luísa estremeceu, arqueou-se mais, empurrou a anca de encontro a ele a cada vinda — e o ritmo deles foi-se acendendo aos poucos, sem pressa, mas mais fundo, as ancas dele a baterem-lhe nas nádegas com um som cada vez mais húmido, plap... plap..., o quarto a encher-se do cheiro deles, almíscar fresco a misturar-se com o eucalipto do banho e o café que ainda pairava da cozinha.
O vestido de marfim continuava amontoado entre as omoplatas dela, e Jaime via-o subir e descer com as costas arqueadas dela a cada golpe, o tecido a colar-se ao suor fino que lhe brilhava na espinha. Apertou-lhe a anca com a mão livre, sentiu-a a empurrar-se de encontro a ele com cada vinda, faminta, como se quisesse mais fundo do que ele lhe podia dar.
— Estou a chegar lá — gemeu ela, a voz a partir-se, a mão dele a girar-lhe mais depressa sobre o clitóris. — não pares — aahn —
Jaime endireitou-se, agarrou-lhe as ancas com as duas mãos e afundou-se mais fundo, golpes longos e plenos, a mantê-la presa contra si a cada vinda. Sentia-a a apertar-se à volta dele, as paredes dela a fecharem-se cada vez mais com o prazer a aproximar-se, e sabia que estava quase. Ele também estava — os tomates já a subirem-lhe, tensos, o formigueiro a acender-se-lhe na raiz a cada estocada na carne quente e molhada dela.
— Aahnn — ahn — Jaime — — Luísa rebentou, a racha a fechar-se-lhe à volta dele em espasmos longos, todo o corpo a tremer de gatas na cama, os dedos a cravarem-se no edredão, as costas a arquearem em arco enquanto o orgasmo a varria. O vestido escorregou-lhe de vez por um ombro abaixo. — Síim — síim —
E aquele aperto a contraí-lo levou-o à beira — mas ele não se deixou ir ainda. Saiu dela, shlup, o pénis luzidio e a pulsar, e Luísa, mesmo a tremer ainda do que acabara de a percorrer, virou-se de imediato. Sentou-se nos calcanhares de frente para ele, ofegante, o cabelo molhado colado à face, o vestido de marfim torcido por baixo dos seios, e levou a mão até ele.
— Anda cá — sussurrou ela, a fechar os dedos à volta dele — quente, duro, escorregadio do que tinham estado a fazer. — Deixa-me eu.
Começou a trabalhá-lo devagar, o pulso a girar, do anel à glande e de volta, espalhando-lhe a humidade pela haste toda, e Jaime arqueou-se de joelhos à frente dela, a boca aberta, as mãos a pousarem-lhe nos ombros nus.
— Mmh — assim — — arfou ele, a anca a empurrar contra o punho dela.
Ela apertou mais, acelerou, a ver-lhe a cara desfazer-se — a mandíbula a cair, as sobrancelhas a franzirem, aquele momento em que um homem deixa de ter controlo. Sustentou-lhe o olhar enquanto o punheteava — e quando lhe sentiu o pénis a inchar-lhe na mão, a haste a ficar tensa de mais, baixou a cabeça e tomou-o na boca.
— Hngh — fff — — Jaime estremeceu de alto a baixo quando os lábios dela lhe deslizaram pela glande, a língua a achatar-se-lhe contra a parte de baixo, a mão dela a continuar a girar na base. Ela tomou-o fundo, a face encovada com a sucção, os olhos a erguerem-se para o procurar — e foi isso, foi vê-la a olhá-lo assim com ele na boca, que o acabou.
— Hngh — vou — Luísa — — gemeu ele, fundo, as mãos a fecharem-se-lhe na nuca, e gozou-lhe na boca em jorros longos e quentes, o pénis a pulsar-lhe contra a língua a cada disparada, as ancas a tremerem-lhe presas pela mão dela. Luísa engoliu — uma, duas vezes, a garganta a trabalhar à volta dele — e não parou.
Continuou a sugá-lo devagar, a língua a deslizar-lhe pela glande já sensível, a ordenhar-lhe cada espasmo que ainda restava. Jaime estremeceu, tentou afastar-lhe a cabeça pela primeira vez — demasiado sensível, demasiado depressa — mas ela não cedeu, fechou os lábios com mais teimosia, a boca morna e molhada a não o largar.
— Aahn — Luísa — esp— — arfou ele, a anca a contrair-se, os dedos enredados no cabelo molhado dela. Ela ergueu os olhos para ele, ainda com ele na boca, e havia um brilho divertido neles — gostava de o ter assim, à mercê, naquele limite incómodo entre o prazer e o demais.
Continuou a chupá-lo, mais lenta agora, a língua a enrolar-se preguiçosa à volta dele enquanto o sentia começar a amolecer-lhe na boca. O pénis foi perdendo a dureza centímetro a centímetro contra a língua dela, e ela acompanhou-o em toda a descida — a sugá-lo mais mole, mais macio, a brincar com ele já amolecido, sem pressa nenhuma de o deixar ir. Jaime tremia a cada passagem da língua, hipersensível, os músculos da barriga a contraírem-se em pequenos espasmos involuntários.
— Ffff — não aguento — riu-se ele, desfeito, a voz a partir-se de mais sensibilidade do que prazer. — Luísa — a sério — hngh —
Só quando o sentiu completamente mole, vencido, a repousar-lhe pesado e macio sobre a língua, é que ela o largou. Saiu-lhe da boca com um pop suave e demorado, e Luísa ergueu-se nos calcanhares, passou a língua pelo lábio inferior e sorriu para ele, preguiçosa e indecente, sem deixar uma única gota.
— Pronto — disse ela, divertida. — Agora sim. Nem precisas da toalha.
Jaime deixou-se cair de costas no edredão, o peito a arfar, uma mão a tapar os olhos, o resto do corpo ainda a tremer de leve dos arrepios.
— És demais — murmurou ele, o riso a sair-lhe baixo e desfeito. Esticou o braço às cegas e puxou-a para cima de si.
Luísa subiu-lhe pelo corpo e enroscou-se-lhe no peito, mole e a sorrir, uma perna por cima das dele, o vestido amarrotado a cobri-la mal. Ele passou-lhe a mão pelas costas, por baixo do tecido fino, devagar, de cima a baixo.
— Agora sim, temos mesmo de ir — murmurou ela contra o peito dele, sem fazer menção nenhuma de se mexer.
— Daqui a cinco minutos — disse Jaime, a fechar os olhos, o braço a apertá-la mais contra si enquanto a manhã de domingo enchia de luz o bangalô de madeira e vidro à volta deles.