Fim de Semana à Beira-Rio » A Primeira Noite
À beira-rio, longe da cidade e da pressa, um casal reencontra o silêncio, o desejo e a intimidade esquecida. Entre vinho, pele arrepiada e promessas antigas, a primeira noite torna-se o início de um fim de semana sem pudor.
O alcatrão deu lugar a um caminho de saibro, e o som mudou debaixo dos pneus: o zumbido liso da estrada transformou-se no chiar áspero da gravilha, anunciando o fim do percurso e o princípio de outra coisa qualquer. Bruno abrandou o carro até quase parar, deixando a luz dourada do fim da tarde escorrer pelo para-brisas. O Verão tardio cheirava a resina de pinheiro e a terra quente a arrefecer, aquele aroma que só existe quando o calor do dia se rende devagar ao fresco do rio.
— Chegámos — disse ele, baixando o vidro.
O ar entrou de rajada, fresco e húmido, carregado do cheiro a água doce e a erva cortada.
— Olha aquilo, Catarina.
Ela inclinou-se sobre o ombro dele para ver melhor. Lá em baixo, encaixado entre choupos altos e uma encosta de relva mansa, estava o bungalow: uma construção comprida de madeira clara e vidro, com telhado plano e uma varanda suspensa sobre o declive que descia até à margem. O rio corria largo e calmo, reflectindo o céu cor de pêssego, e não havia mais ninguém. Nenhum outro carro. Nenhum vizinho à vista. Só a casa, a água e um silêncio que parecia ter peso.
— É ainda melhor do que nas fotografias — murmurou Catarina, e havia na voz dela um fio de surpresa genuína, dessas que a rotina lhe tinha andado a roubar.
Bruno guiou o carro pelo último troço até parar junto à entrada lateral do bungalow. Desligou o motor. Então, de repente, aconteceu uma coisa estranha e bonita: o silêncio caiu sobre eles como um cobertor. Não havia buzinas, nem o ruído de fundo da cidade, aquele que se entranha tanto na pele que deixamos de o ouvir. Havia apenas o murmúrio da água, o roçar do vento nas folhas e o tiquetaque do motor a arrefecer.
Ficaram os dois sentados por instantes, sem dizer nada, a deixar a cidade desaparecer de dentro deles.
— Não acredito que estamos mesmo aqui — disse ela, por fim, virando a cabeça para o olhar.
Catarina tinha quarenta e poucos anos e uma beleza que não pedia licença. O cabelo, castanho-escuro com reflexos cor de mel, caía-lhe pelos ombros em ondas soltas, ainda um pouco desalinhado da viagem. Tinha o rosto oval, as maçãs do rosto altas e uns olhos cor de avelã que pareciam guardar sempre uma piada qualquer só para ela. Vestia uma blusa de linho creme, leve, com os primeiros botões abertos a revelar o início de um colo bronzeado, e uns calções de ganga que lhe deixavam as coxas firmes à vista — coxas de mulher, cheias e suaves, marcadas pela leve impressão do cinto de segurança.
Bruno sentiu, como sentia há vinte anos, aquele puxão surdo no peito.
— Estamos mesmo — respondeu ele, estendendo a mão para lhe afastar uma madeixa de cabelo da cara.
Os dedos dele demoraram-se ali, na curva quente da face dela.
— Só nós os dois. Dois dias inteiros.
Ela fechou os olhos contra a palma da mão dele e suspirou.
A chave estava debaixo de um vaso de barro, exactamente onde a confirmação dizia que estaria. Lá dentro, o bungalow era um espaço aberto e luminoso: chão de madeira clara, paredes de pinho envernizado, uma sala ampla que dava directamente para a varanda através de portas de vidro do chão ao tecto. Ao fundo, um quarto com uma cama enorme, vestida de branco, virada para outra janela larga de onde se via o rio a perder-se na curva.
Descarregaram as malas devagar, sem pressa nenhuma. E foi aí, enquanto as desfaziam, que a tensão começou a tecer-se — desses fios invisíveis que se enrolam entre duas pessoas que se conhecem de cor.
Foi um roçar. Catarina passou por trás dele a caminho do roupeiro, com uma braçada de roupa, e a anca dela tocou-lhe ao de leve na coxa. Nada de mais. Mas Bruno virou-se, e a mão dele encontrou a cintura dela, pousando ali com aquela familiaridade lenta.
— Já tens pressa? — gracejou ela, com um sorriso de canto.
— Tenho o fim-de-semana todo — disse ele. — Não tenho pressa nenhuma.
E, mesmo assim, a mão dele subiu meio palmo, até ao começo das costelas dela, e demorou-se.
Ela riu-se baixinho e escapou-lhe, indo pendurar um vestido. Mas o ar já tinha mudado de temperatura.
O Sol pôs-se sobre o rio numa lentidão de incêndio. Bruno abriu uma garrafa de tinto que tinham trazido — um Douro encorpado — e levou dois copos para a varanda. O jacuzzi estava ali, na ponta do deck de madeira, ainda coberto e adormecido, à espera do dia seguinte. Mas, por agora, bastavam-lhes a brisa, as duas cadeiras lado a lado e o céu a passar de pêssego a violeta, depois a um azul-escuro profundo, com as primeiras estrelas a aparecerem.
Catarina enroscou-se na cadeira, com os pés descalços recolhidos debaixo dela. Tinha trocado os calções por um vestido de malha leve, sem nada por baixo a não ser a lingerie, e a brisa colava-lhe o tecido fino ao corpo de tempos a tempos, desenhando-lhe a curva dos seios, o relevo macio do ventre.
— Sabes do que me lembrei agora? — disse ela, girando o copo entre os dedos.
O vinho deixou um rasto vermelho e oleoso no vidro.
— Da primeira casa onde vivemos. Aquela que tinha a varanda minúscula virada para o pátio das traseiras.
— Onde mal cabia uma cadeira — riu-se Bruno.
— Mal cabia uma cadeira, mas nós ficávamos lá horas.
Ela bebeu um gole, e o olhar dela cravou-se nele por cima da borda do copo, escuro e brilhante à luz que vinha de dentro de casa.
— Já não fazemos isto há muito tempo, Bruno. Só estar.
Ele estendeu a mão e pousou-a sobre o joelho dela. A pele dela estava morna, levemente arrepiada da brisa.
— Pois não — disse ele, em voz baixa. — A culpa é da vida. Mas hoje a vida ficou na cidade.
A mão dele começou a subir pela coxa dela, devagar, o polegar a desenhar pequenos círculos na pele macia. Catarina não disse nada. Apenas pousou o copo na mesinha entre eles, com um toque suave de vidro contra a madeira, e deixou as pernas relaxarem, abrindo-se um milímetro que dizia tudo.
— Está frio — sussurrou ela.
— Então é melhor entrarmos.
Beijaram-se ainda na sala, à entrada, antes mesmo de fecharem as portas de vidro atrás de si.
Não foi um beijo apressado. Foi um beijo daqueles que se aprendem com os anos. Bruno levou as duas mãos ao rosto dela, segurando-lhe a cara como se fosse uma coisa rara, e encostou os lábios aos dela primeiro de leve, só a roçar, sentindo o calor da respiração dela misturar-se com a sua. Catarina abriu a boca contra a dele com um pequeno som húmido, e a língua dela procurou a dele, lenta, saboreando, com o travo doce e quente do vinho ainda agarrado.
As mãos dela subiram-lhe pelo peito, agarrando-se à camisa, puxando-o para mais perto. Os corpos encostaram-se de comprido — os seios dela esmagados contra o peito dele, as ancas a procurarem-se. Bruno sentiu o calor dela através das camadas finas de tecido, e a erecção começou a despertar, pesada, contra a frente das calças.
Ela gemeu contra a boca dele e afastou-se apenas o suficiente para lhe morder o lábio inferior, devagar, puxando-o entre os dentes antes de o largar.
— Tinha saudades disto.
— De quê? — perguntou ele, com a voz já mais rouca, descendo a boca pelo maxilar dela até ao pescoço.
— Disto. De ti com tempo.
Ele encontrou o ponto, abaixo da orelha dela, onde a pele era mais fina e onde sabia — depois de tantos anos — que ela tinha um interruptor escondido. Pousou ali os lábios e sugou ao de leve, a língua a desenhar a pele quente, e Catarina estremeceu da cabeça aos pés, deixando escapar um suspiro arrastado e baixo.
— Ainda funciona — murmurou ele, sorrindo contra a pele dela.
— Cala-te — riu-se ela, sem fôlego, puxando-lhe a cabeça de volta para a sua boca.
Foram recuando pela sala, presos um ao outro, esbarrando no canto do sofá, rindo-se contra os lábios um do outro, até atravessarem a porta do quarto. A luz ali era âmbar e suave, derramada por dois candeeiros nas mesas de cabeceira, e a cama branca esperava-os, com o rio escuro a brilhar lá fora através do vidro.
Bruno parou-a junto à beira da cama e deu um passo atrás, só para a olhar.
— Quero ver-te — disse ele.
Catarina segurou-lhe o olhar e, devagar, agarrou a bainha do vestido de malha. Levantou-o, centímetro a centímetro — primeiro as coxas, depois a curva das ancas, depois o ventre macio — e fê-lo passar pela cabeça num gesto fluido, deixando-o cair ao chão num monte leve.
Por baixo, trazia o conjunto que tinha escolhido para aquela noite, e que escondera na mala como quem esconde uma promessa: um soutien de renda preta, fina e quase transparente, que lhe sustentava os seios cheios sem os cobrir verdadeiramente. Via-se, através do bordado, o tom mais escuro dos mamilos, já endurecidos. E umas cuecas a condizer, de renda igual, com laços minúsculos nas ancas, que se afundavam suavemente na carne firme.
Bruno soltou o ar devagar.
— Meu Deus — disse ele, simplesmente.
— Gostas?
Ela rodou um quarto de volta, deixando-o ver as costas, a curva das nádegas mal coberta pela renda, e olhou-o por cima do ombro com um sorriso lento.
Ele não respondeu por palavras. Tirou a própria camisa por cima da cabeça num gesto desajeitado, atirou-a para o lado e foi até ela. As mãos dele encontraram-lhe a cintura nua por trás, e ele colou o peito às costas dela, a boca a descer-lhe pela curva do pescoço até ao ombro. Catarina encostou a cabeça para trás, contra ele, e sentiu a dureza dele a pressionar-lhe a parte de baixo das costas através das calças.
— Acho que isso responde — sussurrou ela, rindo-se baixinho.
As mãos dele subiram dos lados até lhe cobrirem os seios por cima da renda. Apertou-os devagar, sentindo o peso e a maciez deles a transbordarem-lhe entre os dedos, e os polegares encontraram os mamilos rígidos através do tecido, fazendo-os rolar em pequenos círculos. Catarina arqueou-se contra ele com um gemido suave, e a respiração dela soltou-se em arfadas curtas.
— Continua — pediu ela, num fio de voz.
Ele desabotoou o fecho do soutien com dois dedos — um gesto que conhecia de cor — e as alças escorregaram-lhe pelos ombros. Catarina deixou a peça cair, e os seios dela libertaram-se, cheios e redondos, com os mamilos cor de canela duros. Bruno cobriu-os de novo com as palmas, agora pele contra pele, e o calor da carne dela queimava-lhe as mãos.
Deitou-a na cama com cuidado, e os lençóis brancos receberam o corpo dela. Catarina esticou-se de costas, o cabelo espalhado pela almofada, os seios a subirem e a descerem com a respiração funda, e olhou-o com as pupilas escuras e dilatadas.
Bruno livrou-se das calças e ficou apenas com os boxers escuros, justos, onde a forma da erecção se desenhava grossa e inconfundível, esticando o tecido. Subiu para a cama e ajoelhou-se entre as pernas dela, mas não a tocou ainda onde ela mais queria. Em vez disso, começou pelos pés.
Beijou-lhe o tornozelo. Subiu pela perna devagar, com lábios e língua, traçando a linha interior da barriga da perna, o oco macio atrás do joelho, que a fez tremer e rir ao mesmo tempo.
— Fazes-me cócegas — protestou ela, sem fôlego.
— Eu sei — respondeu ele, e continuou.
Subiu pela coxa, agora mais devagar ainda, e o hálito quente dele aproximava-se do centro dela a cada beijo. Quando chegou ao limite da renda preta das cuecas, Catarina já tinha as mãos enterradas no cabelo dele, e as ancas dela arqueavam-se ligeiramente, à procura da boca dele. Mas Bruno ignorou de propósito o sítio que ela oferecia, atravessou para a outra coxa e recomeçou a descida com toda a paciência do mundo.
— Bruno — gemeu ela, e o nome saiu-lhe como uma queixa e uma súplica ao mesmo tempo.
— Diz.
— Não me faças esperar.
Ele sorriu contra a pele interior da coxa dela. Então, com dois dedos, puxou de lado o tecido húmido das cuecas — porque já estava húmido, ele sentia-o, a renda escurecida pela excitação — e expôs o sexo dela. Os lábios estavam inchados e brilhantes, rosados, abertos, e o cheiro dela subiu-lhe às narinas, quente e íntimo, fazendo-lhe a erecção pulsar.
Passou primeiro só a ponta da língua, de baixo para cima, num único movimento lento ao longo de toda a fenda, recolhendo a humidade dela. Catarina gemeu alto e crispou os dedos no cabelo dele.
Bruno instalou-se ali. Afastou-lhe completamente as cuecas, depois puxou-as pelas pernas abaixo e atirou-as ao chão, deixando-a nua diante dele, aberta sob a luz âmbar dos candeeiros. E começou a lambê-la a sério — a língua larga e achatada a percorrer-lhe os lábios molhados de baixo até ao clítoris, onde se demorava em pequenos círculos antes de descer outra vez. Os fluidos dela escorriam, e Bruno provava-os, fazendo sons húmidos contra ela, que enchiam o quarto silencioso.
— Aí — arfou ela. — Aí, mesmo aí, não pares...
Ele fechou os lábios em torno do clítoris dela, inchado e rígido, e sugou-o devagar enquanto a língua continuava a estimulá-lo. Ao mesmo tempo, levou a mão direita e, com cuidado, introduziu um dedo dentro dela. Ela estava quente, apertada e encharcada, e o dedo deslizou sem resistência. Curvou-o para cima, procurando aquele ponto rugoso que conhecia, e quando o encontrou — e pressionou — Catarina arqueou-se na cama com um grito agudo.
— Isso, meu Deus, isso...
Bruno acrescentou um segundo dedo, alargando-a devagar, e começou a movê-los para dentro e para fora num ritmo lento e firme, sempre a curvá-los contra o ponto G, enquanto a língua dele não largava o clítoris. Os seios dela tremiam a cada arfada, os mamilos apontados ao tecto, e ela tinha uma das mãos agarrada ao lençol e a outra ao cabelo dele, empurrando-lhe a cabeça contra si.
A pressão acumulava-se dentro dela. Bruno sentiu-a — sentiu as paredes dela a apertarem-se em torno dos seus dedos, os músculos das coxas a contraírem-se contra a sua cabeça, a respiração a transformar-se num fio contínuo de gemidos cada vez mais agudos.
— Vou... vou-me... — gaguejou ela.
E ele acelerou — os dedos a entrarem e a saírem mais depressa, a língua a fustigar o clítoris sem piedade — até ela se desfazer. O orgasmo atravessou-a em espasmos, e Catarina gritou, as ancas a saltarem da cama, as paredes internas a apertarem-se ritmicamente em torno dos dedos dele, uma nova onda de humidade a inundar-lhe a mão. Ele abrandou, prolongando-o, deixando-a cavalgar cada vaga de prazer até ela cair de volta no colchão, ofegante, trémula, com um sorriso atordoado.
— Que maneira de começar a noite — murmurou ela, com a voz mole.
Bruno subiu pelo corpo dela, beijando-lhe o ventre, a base de cada seio, o pescoço, até lhe encontrar a boca outra vez. Catarina beijou-o com avidez, sentindo o próprio sabor nos lábios dele, e isso fê-la gemer dentro do beijo.
Mas agora era a vez dela.
Com um movimento ágil, empurrou-lhe o ombro e fê-lo rolar de costas. Sentou-se sobre as coxas dele, ainda nua, ainda quente do orgasmo, e olhou para os boxers escuros que continham aquilo que ela queria. Passou a mão por cima do tecido, sentindo o relevo duro e palpitante, e Bruno sibilou entre dentes.
— Pareces ansioso — provocou ela, repetindo-lhe as palavras de mais cedo, com os olhos a brilharem de malícia.
— Tenho o fim-de-semana todo — respondeu ele, rouco. — Mas, neste momento, confesso que estou com alguma pressa.
Ela riu-se e enganchou os dedos no elástico dos boxers, puxando-os para baixo devagar. A erecção dele saltou para fora, libertada — grossa, dura, com a glande já descoberta e rosada, brilhante, e o prepúcio recolhido para trás na base. Uma veia grossa percorria-lhe a face superior, e na ponta brilhava já uma gota de líquido pré-seminal. Os testículos pendiam pesados por baixo, apertados contra o corpo.
Catarina atirou os boxers para o chão e enrolou os dedos em torno dele. A mão dela mal lhe abrangia a grossura. Apertou de leve e começou a movê-la para cima e para baixo, a pele a deslizar sobre a rigidez por baixo, o prepúcio a esticar-se sobre a glande e a recolher de novo a cada movimento.
— Estás tão duro — sussurrou ela.
— A culpa é tua e dessa renda toda.
Ela sorriu e inclinou-se para a frente. Manteve a mão na base, segurando-o firme, e baixou a cabeça até a língua tocar na glande. Lambeu-a primeiro só na ponta, recolhendo a gota de pré-sémen, de travo salgado, e Bruno estremeceu, a anca a saltar-lhe involuntariamente.
Catarina não teve pressa. Pousou a língua na base do pénis e arrastou-a para cima, devagar, ao longo de toda a face inferior, explorando cada veia, cada relevo, até ao topo. Fê-lo de novo do outro lado. Depois circundou a glande com a ponta da língua, traçando a coroa, e Bruno crispou as mãos nos lençóis.
— Catarina... por favor...
Só então é que ela o tomou na boca. Os lábios dela fecharam-se primeiro sobre a glande, o calor húmido a envolvê-lo, e desceu devagar, levando metade do comprimento para dentro da boca, enquanto a outra mão apertava e torcia suavemente a base. As bochechas dela afundaram-se com a sucção, e Bruno viu, à luz dos candeeiros, a forma da glande a fazer relevo contra o interior da boca dela.
Ela subiu, deixando só a ponta entre os lábios, e a mão dela puxou o prepúcio para trás, expondo completamente a glande inchada antes de a voltar a envolver no calor da boca. Estabeleceu um ritmo — descer, subir, sugar, a língua a dançar à volta da coroa a cada subida — e os sons húmidos misturaram-se com os gemidos roucos dele.
— Assim, assim — arfava ele, com uma das mãos pousada de leve na nuca dela, sem a empurrar, apenas a sentir o movimento. — Estás a deixar-me...
Catarina olhou para cima, sem largar, os olhos cor de avelã cravados nos dele, e a visão dela ali — de boca cheia, bochechas afundadas, um fio de saliva a escorrer-lhe do canto da boca pelo pénis abaixo — quase o desfez ali mesmo.
Ela soltou-o devagar e desceu a língua até aos testículos dele. Lambeu-os com cuidado, primeiro um e depois o outro, recolhendo-os ao de leve na boca, e Bruno gemeu fundo, as pernas a tremerem-lhe. A mão dela nunca parou de o trabalhar, deslizando para cima e para baixo, o prepúcio a retrair-se e a cobrir, brilhante de saliva.
— Se continuares assim, isto acaba já — avisou ele, com a voz tensa.
Catarina largou-o e subiu pelo corpo dele, deslizando o sexo molhado ao longo da rigidez dele, sem o introduzir ainda, só a provocar.
— Então é melhor mudarmos de planos — sussurrou ela contra os lábios dele.
Mas Bruno tinha outras ideias para o primeiro acto. Voltou a rolá-la, gentil mas firme, até a deixar de costas no colchão, e instalou-se entre as pernas dela, que ela abriu de imediato, dobrando os joelhos e oferecendo-se.
Ele segurou-se na base e guiou-se até ela. Roçou a glande ao longo da fenda molhada, de cima a baixo, esfregando-a primeiro contra o clítoris dela — o que arrancou um gemido agudo a Catarina — e depois descendo até encontrar a entrada. A glande pousou ali, na abertura quente e húmida do sexo dela, e os lábios inchados pareceram abrir-se para o receber.
— Olha para mim — disse ele.
Ela olhou. E foi a olhá-lo nos olhos que Bruno empurrou para dentro — devagar, centímetro a centímetro, sentindo as paredes quentes e apertadas dela a abrirem-se à sua volta, a envolvê-lo num calor húmido que o fez fechar os olhos por um instante e arfar.
Catarina gemeu, longo e baixo, as costas a arquearem-se do colchão à medida que ele a preenchia.
— Devagar... assim... isso...
Ele entrou até ao fundo, até os testículos lhe baterem de leve contra as nádegas dela, e ali ficou um momento, completamente enterrado, a sentir-se apertado de todos os lados. Depois começou a mover-se. Retirou-se quase por inteiro — e viu o pénis sair brilhante dos fluidos dela — e voltou a deslizar para dentro, lento e profundo.
— Estás tão...
— Eu sei. Continua. Não pares.
Estabeleceu um ritmo regular e fundo, o corpo dele a descer sobre o dela a cada investida, os rostos a poucos centímetros um do outro. Os seios de Catarina tremiam a cada empurrão, os mamilos rígidos a roçarem-lhe o peito, e ela enlaçou-lhe as pernas em torno da cintura, puxando-o para mais fundo. As mãos dela percorriam-lhe as costas, as unhas a marcarem-lhe a pele.
O som da pele contra a pele encheu o quarto, pontuado pelos gemidos cada vez mais altos dela e pela respiração pesada dele. A cada investida, o pénis molhado deslizava para dentro e para fora, os lábios dela a agarrarem-se a ele na retirada como se relutassem em deixá-lo ir.
— Olha como entras — sussurrou ela, com a voz trémula, olhando para baixo, para onde os corpos se encontravam. — Olha...
Bruno baixou também o olhar, e a visão fê-lo gemer. Voltou a beijá-la, fundo, sem deixar de a penetrar, e os gemidos dela morreram-lhe na boca.
Depois de longos minutos assim, Catarina empurrou-lhe o peito.
— Quero ficar por cima — disse ela, com os olhos a arder.
Bruno não discutiu. Saiu de dentro dela e rolou de costas, e Catarina montou-o de imediato, ajoelhando-se de cada lado das ancas dele. Pegou no pénis dele, segurando-o firme, e ergueu-se sobre ele. Puxou ao de leve o prepúcio para trás, expondo a glande, e guiou-a até à própria entrada. Roçou-a contra si primeiro, espalhando os próprios fluidos, e depois, com um suspiro fundo, baixou-se sobre ele.
Gemeu longa e arrastadamente, à medida que ele a preenchia por baixo, deslizando para dentro centímetro a centímetro até ela estar completamente sentada sobre ele, o sexo dele todo enterrado nela.
Ficou ali um momento, ajustando-se, com a cabeça inclinada para trás e o cabelo a cair-lhe pelas costas. Depois começou a mover-se — primeiro num balanço lento das ancas, para a frente e para trás, depois em círculos lentos que intensificavam o atrito. Bruno agarrou-lhe as ancas com as duas mãos, sentindo o ritmo dela.
— Assim mando eu — disse ela, com um sorriso malicioso.
Começou a subir e a descer, erguendo-se até o ter quase fora e baixando-se de novo a fundo, cada vez mais depressa.
Àquela luz, e naquela posição, Bruno tinha a vista perfeita: os seios dela balançavam vigorosamente a cada movimento, os mamilos duros, e a barriga firme contraía-se a cada descida. Levou as mãos aos seios dela, apertando-os, fazendo rolar os mamilos entre os dedos, e Catarina gemeu mais alto, acelerando.
— Estás linda — disse ele, ofegante. — Tão linda assim.
Ela inclinou-se para a frente, apoiando as mãos no peito dele, e mudou o ângulo, agora a esfregar o clítoris contra ele a cada descida. A respiração dela quebrou-se em gemidos curtos e agudos, e Bruno sentiu-a apertar-se à sua volta, as paredes a contraírem-se ritmicamente.
— Estou outra vez perto — arfou ela. — Outra vez...
Ele ergueu as ancas para a encontrar a cada descida, empurrando para cima, batendo no fundo dela, e Catarina estremeceu toda.
Mas Bruno não queria que acabasse já. Antes de ela se desfazer de novo, sentou-se, abraçou-a e rolou-os a ambos de lado sobre o colchão, sem nunca sair de dentro dela.
Ficaram assim, deitados de lado, encostados — ele atrás dela, peito colado às costas dela, as pernas entrelaçadas, ainda unidos. A posição de conchinha. Era a mais íntima de todas, a mais lenta, e a luz âmbar caía sobre os corpos suados deles enquanto, lá fora, o rio continuava a correr na escuridão.
Bruno passou um braço por baixo do pescoço dela e o outro à volta da cintura, com a mão a descer-lhe ao sexo. Começou a mover-se devagar, com investidas curtas e profundas, e ao mesmo tempo os dedos dele encontraram-lhe o clítoris, desenhando círculos lentos.
— Isto... isto é perfeito — suspirou Catarina, deixando a cabeça cair para trás contra o ombro dele, expondo o pescoço.
Ele beijou-lhe o pescoço, o ombro, a curva da orelha, sem deixar de a penetrar com aquele ritmo lento e fundo. Sentia-a toda contra si — as nádegas dela encaixadas no seu ventre, os seios sob o seu braço, a pele quente e húmida de suor a colar-se à sua.
— Amo-te — sussurrou ele contra o pescoço dela. — Sabias?
— Sei — respondeu ela, com a voz embargada. — Também te amo. Há vinte anos.
Os dedos dele aceleraram no clítoris dela, e as investidas, embora curtas, tornaram-se mais firmes. Catarina procurou-lhe a mão livre com a sua e entrelaçou os dedos, apertando com força, enquanto a outra mão dele a levava cada vez mais perto.
— Vem comigo — disse ela, ofegante. — Quero ir contigo, ao mesmo tempo.
— Estou perto — gemeu ele contra o ombro dela. — Estou mesmo perto.
A pressão acumulava-se nos dois ao mesmo tempo. Catarina sentiu o orgasmo a subir-lhe das profundezas, e empurrou as ancas para trás contra ele, ajudando-o a entrar mais fundo, enquanto os dedos dele não largavam o clítoris. Bruno sentiu as paredes dela a apertarem-se cada vez mais à volta dele, e os seus próprios testículos a contraírem-se, a tensão a tornar-se insuportável.
— Agora — arfou ela. — Agora, Bruno, agora...
E foram juntos.
Catarina desfez-se primeiro, gritando, o corpo todo a tremer, as paredes internas a apertarem-se em espasmos violentos e incontroláveis em torno dele. E essa contração arrastou-o consigo. Bruno enterrou-se nela até ao fundo, segurou-a com força contra si e libertou-se. O sexo pulsou dentro dela, descontrolado, e ele jorrou em golfadas quentes, o sémen a encher-lhe o interior, cada pulsação acompanhada de um gemido rouco contra o pescoço dela. Sentiu-a acolhê-lo, o calor líquido a espalhar-se entre eles, e ficou ali, a pulsar, enquanto o orgasmo de ambos se prolongava em ondas cada vez mais brandas.
Aos poucos, as tremuras acalmaram. A respiração foi assentando. Bruno permaneceu dentro dela, abraçando-a por trás, com a face afundada no cabelo dela, que cheirava a champô, a suor e a tudo o que ele amava.
Quando, por fim, se retirou devagar, um fio brilhante de sémen escorreu, deslizando pela coxa dela em direcção ao lençol. Nenhum dos dois se mexeu para o limpar. Catarina apenas se virou de frente para ele, dentro do círculo dos seus braços, e encostou a testa à dele.
— Se a primeira noite é assim — murmurou ela, com um sorriso preguiçoso — não sei como vamos sobreviver ao resto do fim-de-semana.
— Não vamos — respondeu Bruno, beijando-lhe a ponta do nariz. — E ainda bem.
Lá fora, o rio continuava a correr na escuridão, paciente, sem pressa nenhuma. Tinham dois dias inteiros pela frente. Bruno puxou o lençol sobre os dois, prendeu-a contra o peito, e ficaram ali a ouvir a água e o vento, enquanto o sono os ia levando devagar para o primeiro descanso de muitos.
Continua...